Investidores ouvem alerta fiscal durante Brazil Week em Nova York
Banco Central do Brasil – Com a taxa Selic ainda em dois dígitos, o Brasil detém a segunda maior taxa de juro real do mundo, fato que tem atraído capital estrangeiro interessado em rendimento, mas não necessariamente em projetos de longo prazo, apontaram executivos e governadores na Brazil Week, realizada recentemente em Nova York.
- Em resumo: O juro elevado, fruto do desequilíbrio fiscal, pode subir ainda mais se o próximo governo não sinalizar corte de gastos.
Governadores pedem previsibilidade para destravar investimentos
Perante cerca de 100 empresários, Romeu Zema (Novo-MG) e Eduardo Leite (PSDB-RS) concordaram que a chave para baixar o custo de capital é devolver confiança ao mercado por meio de disciplina fiscal. Dados compilados pela Reuters mostram que, mesmo com sinais de desaceleração da inflação, o prêmio de risco embutido na dívida brasileira permanece acima da média latino-americana.
“O principal desafio do próximo mandato são as contas públicas”, disse Guilherme Benchimol, fundador da XP, ao chegar ao evento.
Histórico do juro real e impacto no bolso do investidor
Desde 2021, a combinação de inflação teimosa e déficit primário elevou a Selic em mais de 800 pontos-base. Segundo série histórica do Banco Central, o juro real brasileiro só ficou acima de 6% ao ano em outras três ocasiões nas últimas duas décadas, todas marcadas por forte ajuste fiscal posterior. Sem corte de gastos, a curva de rendimento tende a permanecer inclinada, encarecendo linhas de crédito e pressionando o câmbio.
Como isso afeta o seu bolso? Spread bancário mais largo, financiamento imobiliário mais caro e rentabilidade menor na bolsa enquanto o Tesouro paga prêmios generosos. Para acompanhar outras análises sobre contas públicas e juros, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Brazil Journal