Decisão histórica do Golfo amplia tensão sobre combustíveis e inflação
Emirados Árabes Unidos romperam quase seis décadas de aliança ao confirmar que deixam a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em 1º de maio, sacudindo o equilíbrio de oferta num momento de guerras e de juros ainda elevados.
- Em resumo: saída reduz poder de cartel, pode elevar volatilidade e mexer na bomba de gasolina.
Mercado já precifica menos controle sobre a oferta global
Investidores reagiram com alta imediata nos contratos futuros de Brent, enquanto analistas projetam um prêmio de risco adicional de US$ 3 a US$ 5 por barril caso Abu Dhabi reverta cortes e aumente exportações, segundo projeção citada pela Reuters.
A decisão foi tomada após “várias discussões” e “reflexões” sobre o cenário internacional do petróleo.
Por que a ruptura importa para o seu orçamento
Quando um dos sete maiores produtores do planeta promete bombear mais, diminui a eficácia das cotas definidas em Viena e empurra o preço para um território mais instável. No Brasil, cada variação de US$ 1 no Brent costuma refletir em cerca de R$ 0,05 no litro da gasolina nas refinarias, de acordo com cálculos de consultorias de energia.
Historicamente, a Opep — criada em 1960 — perde musculatura sempre que um membro do Golfo sai: aconteceu com o Qatar, em 2019, e com o Equador, em 2020. Agora o “efeito dominó” preocupa, porque a Opep+ (que inclui Rússia) já enfrenta dificuldades para cumprir metas de corte, agravadas pelos conflitos que envolvem Estados Unidos, Israel e Irã.
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Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images via BBC