Alta do Brent pressiona, mas estatal aposta em fábrica cheia para blindar o consumidor
Petrobras – Em balanço divulgado recentemente, a companhia anunciou lucro de R$ 32,7 bilhões no 1º trimestre de 2026 e reafirmou que não fará repasses imediatos no preço da gasolina, apesar da disparada do petróleo após o conflito no Oriente Médio.
- Em resumo: produção de óleo e gás subiu 16,1% e FUT das refinarias superou 100%, garantindo estoque interno.
Produção recorde sustenta caixa e evita repasse
Com refinarias operando acima da capacidade projetada, a estatal tenta compensar a perda de oferta global causada pelos bloqueios no Estreito de Ormuz. O foco, segundo a presidente Magda Chambriard, é “blindar a segurança energética” e preservar participação de mercado diante da concorrência do etanol, cujo preço recuou nas últimas duas semanas.
“Mudanças abruptas estão fora da nossa intenção de repasse”, afirmou Chambriard ao apresentar o resultado aos investidores.
Segundo dados da Reuters, o Brent passou de US$ 70 para picos próximos de US$ 120 desde o início dos ataques em 28 de fevereiro, elevando o custo global do frete e das importações de derivados.
Escalada do Brent e cenário fiscal: o que vem a seguir
Historicamente, cada variação de US$ 1 no barril adiciona cerca de R$ 0,06 ao preço da gasolina nas bombas, segundo cálculos do setor. Para conter esse efeito, o governo já zerou PIS/Cofins e Cide sobre combustíveis e estuda tornar permanentes os subsídios, caso o Projeto de Lei Complementar 67/2026 avance no Senado.
Mesmo com o apoio fiscal, economistas alertam que o alívio pode ser temporário se a cotação internacional permanecer acima de US$ 100. Em 2014, último período em que o Brent superou esse patamar por mais de seis meses, a inflação brasileira avançou 6,41%, pressionando o IPCA e forçando o Banco Central a elevar a Selic.
Como isso afeta o seu bolso? Se o conflito se prolongar e o PLP atrasar, a margem de manobra da Petrobras diminui, podendo refletir em alta nas bombas no segundo semestre. Para acompanhar a evolução dos preços de energia e seu impacto em ações da estatal, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil