A sobrecarga feminina esconde um rombo bilionário nos lares brasileiros
IBGE – Dados oficiais revelam que as brasileiras dedicam, em média, dez horas a mais por semana ao cuidado de crianças, idosos e afazeres domésticos, configurando a chamada “escala 7×0”, criticada pela pesquisadora Cibele Henriques. A conta pesa no bolso: tempo é dinheiro, e esse trabalho não remunerado mina a renda disponível das famílias e a participação feminina no mercado formal.
- Em resumo: cada hora semanal não paga pode representar até R$ 1,1 mil anuais em renda perdida por mulher, segundo estimativas acadêmicas.
Escala 7×0: o custo invisível no PIB
Ao converter o esforço doméstico em valor de mercado, estudos apontam que o trabalho de cuidado equivaleria a cerca de 10% do PIB mundial. No Brasil, levantamento da Agência de Notícias do IBGE estima impacto semelhante, indicando que a jornada extra impede muitas mulheres de aceitar vagas formais ou ampliar a qualificação profissional.
“Se tempo é dinheiro, o dinheiro das mulheres é expropriado delas. Elas são grandes doadoras de trabalho não pago para os homens”, resume Henriques, da UFRJ.
Demografia pressiona políticas públicas e o orçamento familiar
O país caminha para um cenário de dupla dependência: crianças ainda numerosas e população idosa crescendo rápido. Projeções do Banco Mundial mostram que, até 2030, a taxa de dependência chegará a 60%, exigindo mais horas de cuidado justamente quando o mercado cobra maior produtividade.
Como isso afeta o seu bolso? A tendência é de que serviços privados de apoio – creches, cuidadores e lavanderias – fiquem mais caros, comprimindo ainda mais o orçamento doméstico. Para driblar o ciclo, especialistas defendem políticas de redistribuição do cuidado, como licença parental compartilhada e expansão da rede pública de acolhimento.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil