Guidance encolhido e inadimplência no agro jogam pressão extra sobre BBAS3
Banco do Brasil – O balanço do 1º trimestre confirmou a piora: lucro líquido ajustado recuou 53%, para R$ 3,4 bi, e o banco cortou a projeção anual de ganhos para R$ 18 bi–R$ 22 bi. A ação já acumula queda de quase 25% desde fevereiro, acendendo o sinal vermelho para investidores.
- Em resumo: alta de 85% no custo de crédito devora a margem e derruba o resultado.
Por que o mercado ficou mais cauteloso
A disparada da inadimplência rural e a revisão do guidance levaram analistas a rebaixar expectativas. De acordo com dados compilados pela Reuters, o ROE do banco despencou para 7,3%, bem abaixo dos 24,8% do Itaú no mesmo período.
“Na prática, o piso anterior virou teto. Isso mostra que a deterioração do crédito agro é mais profunda e longa do que o banco previa”, avalia Lucas Cavalcante, da Gus Consultoria.
Contexto macro: juros altos e crédito mais caro
Desde 2024, o ciclo de manutenção da Selic acima de dois dígitos encareceu o financiamento rural, segmento que responde por parcela relevante da carteira do BB. Historicamente, cada ponto percentual de alta nos juros eleva o custo de crédito agrícola em torno de 6%, segundo séries do Banco Central. O resultado é uma escalada nas recuperações judiciais, que dobraram em 12 meses e pressionaram as provisões em R$ 18,9 bi apenas no trimestre.
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Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS