Salto no resultado reforça peso das térmicas e pressiona alavancagem
Eneva (ENEV3) – A companhia divulgou recentemente o balanço do primeiro trimestre de 2026, mostrando lucro líquido de R$ 522,7 milhões, avanço anual de 36%, impulsionado pelo forte despacho térmico.
- Em resumo: geração de 3.942 GWh mais que triplicou o volume do 1T25 e sustentou Ebitda ajustado de R$ 1,69 bilhão.
Despacho em alta sustenta margens, mas amplia dívida
A elevação do despacho das usinas do Complexo Parnaíba (54%) e de Jaguatirica (77%) garantiu receita operacional líquida de R$ 4,68 bilhões, avanço de 5,9% frente ao mesmo intervalo de 2025. Segundo dados compilados pela Reuters, o custo da energia térmica tende a permanecer competitivo neste ano devido ao nível confortável dos reservatórios, que reduz o risco de acionamento fora do mérito.
“A geração bruta de energia total atingiu 3.942 GWh no período, patamar mais que três vezes superior ao 1T25”, destacou a administração no release de resultados.
Risco–retorno: alavancagem passa de 2,59x para 2,77x Ebitda
O aumento do capex em expansão e a compra de gás natural pressionaram a dívida líquida, que subiu para R$ 18,5 bilhões. Para investidores, o indicador reforça o equilíbrio delicado entre crescimento e distribuição de proventos: historicamente, elétricas que mantêm alavancagem abaixo de 3x conseguem acessar crédito com custos menores e preservar a política de dividendos.
No âmbito setorial, o Operador Nacional do Sistema (ONS) projeta leve retomada do consumo industrial em 2026, o que pode manter espaço para térmicas flexíveis num cenário de maior volatilidade hidrológica. Empresas similares, como Engie e Petrobras, têm reforçado contratos de gás para mitigar oscilações de preços no Mercado de Curto Prazo (MCP).
Como isso afeta o seu bolso? Resultados robustos podem se refletir em distribuição maior de dividendos, mas a escalada da dívida exige atenção ao risco de refinanciamento. Para mais detalhes sobre o comportamento das ações de energia, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Eneva