Estratégia de Greg Abel e caixa de US$ 390 bi estão no radar dos investidores
Berkshire Hathaway abriu sua conferência anual em Omaha, na última quinta (2), com um gesto simbólico: a “aposentadoria” da camisa de Warren Buffett, enquanto divulgava lucro de US$ 10 bilhões no 1T26 — seu primeiro grande balanço desde a saída do lendário “Oráculo de Omaha”.
- Em resumo: mesmo com S&P 500 em alta de 30% em 12 meses, as ações da Berkshire caem 10%.
Lucro bilionário e ações na contramão do S&P 500
O resultado trimestral foi liberado pouco antes de o evento começar, e os números chamaram atenção porque a rentabilidade da holding continua forte, embora o papel tenha ficado atrás do índice amplo do mercado. De acordo com dados da Reuters, o descolamento negativo costuma pressionar a gestão a explicar sua alocação de capital.
“Os investidores aguardavam os resultados com certa tensão”, diz o comunicado de abertura da conferência.
Para parte do mercado, a queda de 10% desde maio de 2025 reflete cautela com a transição de liderança. Abel, que assumiu o comando executivo, lembrou que Buffett permanece no conselho, mas sinalizou que “a disciplina na alocação de capital não muda”.
Sucessão, IA e os próximos movimentos do caixa recorde
Um ponto-chave são os US$ 390 bilhões parados em caixa, maior montante nominal da história da companhia. Analistas recordam que Buffett sempre manteve uma “reserva de pólvora seca” para aquisições durante crises, prática que pode ser revisitada se o Federal Reserve voltar a subir juros, encarecendo o custo de capital de concorrentes.
Outro tema que dominou perguntas foi a inteligência artificial. Desde 2023, o mercado brasileiro também viu grandes companhias destinarem parte do caixa para IA, movimento que poderia inspirar a Berkshire a buscar participações táticas em fornecedores de semicondutores ou nuvem, repetindo a estratégia que rendeu ganhos expressivos com a Apple em 2016.
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Crédito da imagem: Divulgação / Berkshire Hathaway