Estoques do varejo adiam repasse, mas não barram onda de custos
FGV Ibre – O salto de 2,41% no IGP-DI de abril expõe como a disparada do petróleo está encarecendo matérias-primas, embalagens e combustíveis, pressionando a inflação e indicando possível interrupção do ciclo de queda da Selic na reunião de 16 e 17 de junho.
- Em resumo: custos industriais dominados pelo petróleo elevaram o IPA a 3,09%, maior patamar desde 2021.
Atacado dispara com petróleo acima de US$ 100
No componente de atacado, as Matérias-Primas Brutas avançaram 4,57%, puxadas por diesel e fertilizantes, enquanto sacolas plásticas saltaram 30,75%. A escalada acompanha a cotação do barril, que ultrapassou US$ 100 segundo a Reuters, reforçando o efeito dominó sobre logística e insumos.
“O IGP antecipa a inflação oficial. Quando o varejo renovar estoque, o consumidor vai sentir aumentos graduais”, alerta André Braz, coordenador dos índices de preços da FGV.
Projeções para IPCA e crédito ficam mais salgadas
O encarecimento generalizado elevou a projeção do IPCA para um intervalo entre 4,7% e 5,7% em 2026, ameaçando o teto da meta de 4,5%. Esse cenário limita a margem do Banco Central para novos cortes de juros: manter a Selic em 14,5% torna-se peça-chave para conter a desancoragem das expectativas e segurar o real.
Historicamente, o IGP-DI serve de parâmetro para reajustes de contratos de aluguel e tarifas públicas. Em 2021, quando o índice acumulou 37%, locatários sentiram forte impacto no bolso. Se o movimento atual persistir, novos contratos podem embutir gatilhos de correção mais altos, encarecendo ainda mais o custo de vida.
Como isso afeta o seu bolso? A manutenção dos juros eleva as parcelas de financiamentos, enquanto os repasses do atacado tendem a pressionar alimentos, combustíveis e materiais de construção nos próximos meses. Para acompanhar as próximas decisões e proteger seu orçamento, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Unsplash