Rebaixamento atinge Arezzo, Renner, Natura e Alpargatas em meio à nova pressão de preços
Bank of America (BofA) — O banco de investimento reavaliou quatro gigantes do varejo brasileiro após o Governo Federal confirmar o fim da isenção de imposto para compras internacionais até US$ 50, movimento que, segundo analistas, pode estreitar margens e desalojar marcas locais das vitrines digitais.
- Em resumo: preço-alvo da Azzas cai de R$ 28 para R$ 17 e recomendação vira “venda”, sinalizando potencial recuo de 13%.
Fôlego encurtado: múltiplos menores e risco de concorrência asiática
No relatório, o estrategista Robert Ford justifica a guinada citando “concorrência mais intensa” e margens comprimidas, tendência reforçada por dados da Reuters sobre a retomada de importações baratas.
“Nosso preço-alvo agora considera 6 vezes o lucro projetado para 2027, refletindo riscos de execução e governança”, pontua o BofA.
Efeito dominó no varejo: quem perde mais com a isenção derrubada?
Para Alpargatas, Renner e Natura a recomendação migrou de “compra” para “neutra”, com cortes de preço-alvo para R$ 12, R$ 16 e ajustes de múltiplos a 10 x e 9,5 x lucros, respectivamente. O banco lembra que custos de fabricação na China equivalem a um terço dos brasileiros, abrindo espaço para produtos importados tomarem prateleiras online.
Historicamente, movimentos semelhantes — como o boom do e-commerce cross-border em 2020 — comprimiram margens de até 2 p.p. no setor, mostram séries do IBGE. Se o consumo continuar fraco, principalmente no Nordeste, o vazamento de demanda pode se acentuar.
Como isso afeta o seu bolso? Um mix de preços mais baixos no exterior pode forçar promoções agressivas aqui, beneficiando o consumidor no curto prazo, mas pressionando empregos e investimentos das varejistas listadas. Vai rever sua carteira? Para mais análises sobre varejo e mercado acionário, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Bank of America