Mercado vê risco de inflação acima da meta e aguarda próximos sinais do BC
Banco Central do Brasil – Em conferência recente, a autoridade monetária ressaltou que a sequência de choques de oferta exige atenção redobrada, pois eleva preços sem que o aperto de juros consiga neutralizar o efeito de forma imediata.
- Em resumo: Quarto choque de oferta em seis anos reforça Selic a 14,50% e eleva custo do crédito.
Quais são os choques e por que eles desafiam a Selic
O presidente Gabriel Galípolo lembrou que o Brasil encara “uma tempestade após a outra”: pandemia, quebra de safras, energia cara e agora a disparada do petróleo ligada às tensões no Oriente Médio. De acordo com dados compilados pela Reuters, cada episódio adicionou pressões temporárias, mas sucessivas, ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
“Estamos passando pelo quarto choque de oferta em menos de seis anos, o que cria dissonância entre a meta de 3% e a inflação percebida pela população”, afirmou Galípolo durante a apresentação.
Impacto imediato no bolso e no crédito
Como o aumento da Selic atua principalmente sobre a demanda, a autarquia reconhece que a alta de custos — combustíveis, alimentos e energia — escapa parcialmente ao controle tradicional da política monetária. Mesmo assim, o BC pretende encerrar o ciclo de cortes graduais com juro ainda restritivo para conter repasses secundários.
Historicamente, uma Selic acima de dois dígitos encarece empréstimos, cartões e financiamentos imobiliários. Para o consumidor, isso se traduz em parcelas mais altas e acesso mais difícil a capital de giro para empresas, reduzindo ritmo de contratações e investimentos.
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Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS