Risco de inflação reacende alerta em ano eleitoral nos Estados Unidos
Federal Reserve – A escalada do petróleo acima de US$ 100 por barril, após novo impasse entre Washington e Teerã que mantém o Estreito de Ormuz parcialmente bloqueado, reacende a pressão inflacionária que pode adiar cortes de juros tão esperados pelos mercados.
- Em resumo: choque no petróleo aumenta custo de vida nos EUA e encarece o financiamento da dívida pública.
Petróleo supera a barreira simbólica de US$ 100
O Brent, referência global, disparou na abertura da semana e voltou à casa dos três dígitos, patamar que não era visto desde 2024. De acordo com dados da Reuters, cerca de 20% do petróleo mundial cruza diariamente o Estreito de Ormuz; qualquer interrupção prolongada ameaça oferta e logística.
“Com o Brent acima de US$ 100, o mercado antecipa repique de inflação e posterga apostas de afrouxamento monetário”, destaca relatório do JPMorgan.
Fed sem espaço: efeito dominó no crédito e na dívida
O salto do petróleo chega em um momento em que a inflação de serviços nos EUA já vinha persistente. Historicamente, cada alta de 10% no barril adiciona até 0,2 ponto-percentual ao CPI em 12 meses, segundo cálculos do Banco Mundial. Se o bloqueio em Ormuz durar semanas, analistas projetam que o Treasury de 10 anos possa romper 5% novamente, encarecendo o custo de rolagem de uma dívida que ultrapassa US$ 34 trilhões.
No passado recente, choques semelhantes (Golfo em 1990 e Primavera Árabe em 2011) forçaram o Fed a manter juros elevados por mais tempo, sacrificando atividade industrial e consumo. Agora, com eleições legislativas no fim do ano, a Casa Branca precisa de alívio financeiro para sustentar emprego e mercados.
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Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central