Terceira semana de perdas no índice acende alerta para rotação setorial
B3 – Mesmo com pregão encurtado pelo feriado do Dia do Trabalhador, o Ibovespa encerrou a semana passada em queda de 1,80%, acumulando o terceiro recuo consecutivo e evidenciando a tensão nos mercados diante dos conflitos no Oriente Médio e da temporada de balanços.
- Em resumo: Usiminas avançou 8,94% após lucro de R$ 896 milhões, enquanto Hapvida devolveu 12,07% e liderou as perdas.
Metalúrgicas brilham; saúde e construção sentem o baque
Impulsionada pelos números robustos do 1T26 e pela elevação de preço-alvo do UBS BB para R$ 10, a Usiminas puxou o lado positivo do índice, acompanhada por Braskem e PRIO. Do outro lado, Hapvida afundou após assembleia que reforçou a influência da Squadra no conselho, movimento que gerou realização de lucros na operadora de planos de saúde. Entre as construtoras, Cyrela e Cury recuaram mais de 11% cada uma, refletindo o ambiente de juros ainda elevados, mesmo com o novo corte da Selic para 14,50%.
“O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,50% ao ano e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante.”
Em Nova York, a semana terminou com recordes no S&P 500 e no Nasdaq, movimento que contrasta com a cautela local e reforça a busca de investidores brasileiros por diversificação internacional, segundo dados consolidados pela Reuters.
Contexto macro e o que observar nos próximos pregões
Embora o petróleo Brent permaneça acima de US$ 100, o real ganhou força e o dólar recuou 4,36% em abril, aliviando parte da pressão inflacionária importada. Historicamente, moedas emergentes tendem a se valorizar quando o diferencial de juros doméstico ainda é elevado — atualmente, 10,75 pontos percentuais em relação à taxa dos EUA. Esse colchão, no entanto, pode encolher se o Federal Reserve atrasar o ciclo de corte, tema que volta ao radar na próxima reunião do Fomc.
Como isso afeta o seu bolso? Setores sensíveis a crédito, como varejo e construção, só devem ganhar tração quando a Selic entrar em um dígito. Até lá, ações exportadoras ou ligadas a commodities podem continuar na dianteira. Para mais detalhes sobre rotações de carteira, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / B3