País reforça exportação fóssil para a Europa mesmo com matriz 98% renovável
Governo da Noruega – em meio à escalada dos preços globais de energia, Oslo engordou em US$ 5 bilhões as receitas estatais desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, reacendendo o debate sobre sua dependência do petróleo para financiar o Fundo do Petróleo, hoje avaliado em US$ 1,9 trilhão.
- Em resumo: energia fóssil responde por 60% das exportações norueguesas, enquanto 9 de cada 10 carros novos vendidos internamente são elétricos.
Petróleo sustenta o caixa público e recorde na Bolsa de Oslo
A estatal Equinor, controlada em maioria pelo governo, lidera os 57 novos blocos de exploração aprovados no mar de Barents. O movimento ocorre quando a Europa absorve 90% do petróleo e do gás noruegueses, em substituição às remessas russas, segundo projeções da Reuters.
“Continuaremos buscando mais petróleo para fornecer à Europa”, prometeu o primeiro-ministro Jonas Gahr Støre, defendendo mais de 200 mil empregos diretos no setor.
Contraste climático: liderança em energia limpa, ganhos em carbono
Embora 98% da eletricidade do país venha de usinas hidrelétricas e o imposto de carbono exista desde 1991, a produção fóssil segue crescendo para fechar a lacuna energética europeia. O resultado é um paradoxo: o mesmo fundo soberano que garante aposentadorias verdes é abastecido por hidrocarbonetos cuja queima ele tenta mitigar em outros mercados.
Para contextualizar, a alíquota norueguesa de carbono – cerca de US$ 200 por tonelada em 2026 – figura entre as mais altas do mundo, segundo a Agência Internacional de Energia. Ainda assim, analistas alertam que a dependência fiscal do barril torna a transição mais custosa quando o preço recuar.
Como isso afeta o seu bolso? A ampliação da oferta norueguesa tende a segurar picos no preço do gás europeu, impacto que pode chegar às contas de luz e ao câmbio do real. Para acompanhar outros movimentos que mexem com o mercado e a política econômica, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Getty Images / Divulgação