Consulta pública do FedNow expõe corrida global por pagamentos instantâneos
Office of the United States Trade Representative (USTR) — O órgão intensificou recentemente a investigação comercial contra o Brasil, citando o Pix entre os serviços que poderiam dar vantagem competitiva indevida e abrindo espaço para aplicar tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros.
- Em resumo: qualquer sanção pode encarecer as exportações e pressionar o dólar, afetando preços internos.
Disputa começou com Trump, mas Fed sinaliza avanço do FedNow
A ofensiva se ampara na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que autoriza Washington a retaliar práticas consideradas desleais. O processo foi reativado depois de a Suprema Corte limitar parte das medidas da gestão anterior; agora, ganha fôlego em meio à consulta pública do Federal Reserve sobre o FedNow, plataforma de pagamentos instantâneos lançada nos EUA em 2023.
“Pagamentos são estratégicos porque concentram margens e dados”, resumiu Fabio Murad, da Super-ETF Educação, no relatório enviado a clientes.
Por que o Pix incomoda o lobby americano
Líder com cerca de 170 milhões de usuários, o Pix já responde por mais da metade das transações de pagamento no País, segundo o Banco Central. Ao oferecer liquidação imediata, custo ínfimo e acesso aberto a bancos ou fintechs estrangeiras que operam localmente, o sistema reduziu a dependência de redes privadas dominadas por gigantes globais de cartões.
Esse avanço pressiona margens de adquirência e derruba taxas cobradas de lojistas, setores onde companhias dos EUA detêm presença forte. Não à toa, a investigação foi solicitada pelo Information Technology Industry Council (ITI), associação que reúne big techs e empresas de meios de pagamento.
Impacto financeiro: do agronegócio ao câmbio
Embora especialistas considerem baixa a chance de o Pix sofrer bloqueio direto — a infraestrutura é doméstica e opera em reais —, o efeito colateral de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras, como soja e minério, seria sentido na taxa de câmbio e na inflação. Em 2018, medidas semelhantes na disputa EUA-China elevaram o dólar local em quase 10 % em poucos meses, mostram dados históricos da Bloomberg.
Como isso afeta o seu bolso? Alta do dólar encarece combustíveis, eletrônicos e até alimentos básicos. Para acompanhar cada movimento desse embate comercial, acesse nossa editoria de Economia e Política.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central