Escassez de mão de obra pode inflacionar obras e pedágios
Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) – A entidade calcula que cerca de R$ 400 bilhões serão aplicados na construção, operação e manutenção de estradas brasileiras nos próximos oito a dez anos, criando o maior boom rodoviário da história recente e acendendo o alerta para falta de engenheiros qualificados.
- Em resumo: sem profissionais suficientes, prazos podem estourar e tarifas de pedágio tendem a subir, afetando diretamente o fluxo de caixa das concessionárias e o bolso do motorista.
Escassez de engenheiros vira risco operacional
Após anos de retração da infraestrutura, parte da mão de obra migrou para fintechs, mercado financeiro ou até aplicativos de transporte. Agora, as empresas precisam repor quadros rapidamente para tocar os contratos já assinados. De acordo com estimativa publicada pela Reuters, o leilão de rodovias federais e estaduais nos últimos quatro anos dobrou a média histórica de investimentos garantidos no setor.
“Precisaremos construir essa safra de engenheiros. Em engenharia você terá um mercado aquecido pelos próximos 10 a 15 anos”, alertou Marco Aurélio Barcelos, presidente da ABCR.
Ciclo de obras impulsiona PIB e arrecadação
Nos últimos 20 anos, o Brasil destinou em média 1,5% do PIB a transportes; o volume anunciado de R$ 400 bilhões equivale a mais de 4% do PIB projetado para a próxima década, aproximando o país de patamares de economias da OCDE. Segundo dados do Banco Central, cada R$ 1 investido em infraestrutura rodoviária injeta R$ 1,6 na cadeia produtiva via impostos, salários e compras de insumos.
A modernização dos pedágios em modelo free flow, apoiada pelo Governo Federal, deve acelerar a digitalização de cobranças e reduzir fraudes. O novo prazo de 200 dias para quitação sem multa, integrado ao aplicativo “CNH do Brasil”, é visto pela ABCR como forma de recuperar receitas já contratadas sem onerar o usuário com juros adicionais.
Como isso afeta o seu bolso? Salários de engenharia tendem a subir, mas custos adicionais podem ser repassados a tarifas de pedágio e fretes. Para entender outras reformas que mexem com seu orçamento, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / ABCR