Alerta de choque logístico acende sinal vermelho para preços na bomba
Saudi Aramco informou recentemente que o mercado de petróleo pode levar até 2027 para se estabilizar caso o fluxo de navios no Estreito de Ormuz permaneça restrito por semanas, mesmo após registrar salto de 26% no lucro trimestral.
- Em resumo: bloqueio prolongado em Ormuz ameaça oferta global, enquanto a Aramco lucra US$ 33,6 bi e mantém dividendos de US$ 21,9 bi.
Estrangulamento no Estreito de Ormuz abala oferta global
O CEO Amin Nasser advertiu que, ainda que o tráfego pelo estreito volte imediatamente, o equilíbrio entre oferta e demanda só se recomporá “em alguns meses”. Se a rota seguir limitada, a normalização migraria para 2027, destacou ele em mensagem reproduzida pela Bloomberg.
“Se o comércio permanecer restringido por mais de algumas semanas, prevemos que a disrupção da oferta persista e que o mercado só se normalize em 2027.”
Lucro bilionário sustenta dividendos, mas alavancagem cresce
Impulsionada pelo barril a quase US$ 100, a Aramco reportou 126 bilhões de riais em lucro líquido ajustado, superando projeções de analistas e garantindo o pagamento de dividendos cruciais para o orçamento saudita. O fluxo de caixa livre (US$ 18,6 bi), no entanto, ficou abaixo dos dividendos, e a alavancagem subiu de 3,8% para 4,8%, sinalizando maior dependência de dívida.
Historicamente, tensões no Golfo Pérsico costumam adicionar um “prêmio de risco” ao preço do petróleo, como ocorreu em 2019, quando ataques a instalações sauditas elevaram o Brent em 15% num único dia. Analistas lembram que cada US$ 10 extras no barril pressiona a inflação global e encarece derivados no Brasil em cerca de R$ 0,50 por litro, segundo cálculos do Banco Central.
Como isso afeta o seu bolso? O prolongamento do gargalo logístico pode manter combustíveis caros e adiar cortes de juros em diversas economias. Para mais detalhes sobre este tema, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Saudi Aramco