Investidores exigem decisão antes que Austrália e África saiam na frente
Viridis Mining — a júnior australiana que lidera o chamado projeto Colosso em Poços de Caldas (MG) — reforçou recentemente que planeja colocar até US$ 370 milhões no Brasil para iniciar a produção de terras raras em 2028, mas alerta: a simples discussão sobre uma estatal “TerraBrás” já encarece o custo de capital e pode afugentar parceiros.
- Em resumo: incerteza regulatória ameaça um investimento total próximo a R$ 2 bilhões e o fornecimento regional estratégico desses minerais.
Corrida global: janela se fecha rápido para novos fornecedores
Dados da Reuters mostram que a China ainda responde por quase 70% do refino de terras raras, mas governos ocidentais já destinam bilhões de dólares a projetos na Austrália, África e América do Norte para reduzir dependência. Se Brasília atrasar, essas rotas podem capturar a demanda antes mesmo de o primeiro grama brasileiro sair da mina.
“Você não pode se basear em uma estatal, senão o capital não virá”, alertou o CEO Rafael Moreno, acrescentando que a indústria nacional comprará o insumo “assim que a cadeia estiver aqui”.
Estatal em debate: oportunidade ou risco de bilhões?
O Congresso analisa a Política Nacional de Minerais Críticos, cujo relatório está previsto para 4 de maio. Um dos pontos mais polêmicos é a criação da TerraBrás e um regime de partilha semelhante ao do pré-sal. Embora integrantes do governo sinalizem recuo, a proposta mantém vivo o risco de intervenção, justamente quando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) discute crédito ao projeto da Viridis.
Para investidores, o timing regulatório é quase tão crítico quanto o teor das regras. Segundo a Bloomberg, a demanda global por ímãs de alta performance — que utilizam neodímio e praseodímio, principais terras raras — deve dobrar até 2030 puxada por veículos elétricos e turbinas eólicas. Cada trimestre de atraso na licença ambiental ou no marco legal pode significar perda de contratos de offtake que ancoram o financiamento.
Como isso afeta o seu bolso? Sem oferta local, as fabricantes irão importar componentes mais caros, pressionando preços de carros elétricos e contas de luz. Para acompanhar próximos capítulos e outros temas de política econômica, visite nossa editoria de Economia e Política.
Crédito da imagem: Divulgação / Viridis Mining