Maior aporte da década pressiona concorrentes e acelera a transição energética
Petrobras – A estatal confirmou, na última sexta-feira (15/05), que destinará R$ 17,6 bilhões à Refinaria de Paulínia (Replan) até 2030, movendo o ponteiro do mercado de combustíveis e colocando o Brasil no radar global do SAF – combustível sustentável de aviação – já em 2026.
- Em resumo: além de elevar em 5% a capacidade de refino, a Replan passa a produzir SAF e ganha usina solar própria, diminuindo custos futuros.
Refino turbinado: mais 25 mil barris/dia e SAF no mesmo pacote
O plano prevê uma parada de manutenção em 2027 para instalar equipamentos que acrescentarão 25 mil barris diários, reforçando a participação da Replan, hoje responsável por 20% do refino nacional, segundo dados da Reuters.
Na prática, isso permite gerar um combustível com parte de origem renovável usando estruturas já existentes na refinaria.
A primeira fase usará coprocessamento com óleos vegetais e gorduras animais. Em seguida, virá uma planta exclusiva na rota ATJ (álcool-para-jato) com capacidade estimada em 10 mil barris de SAF ao dia, a ser licitada a partir de 2027.
Transição energética: impacto no bolso e no câmbio
A aposta no SAF ocorre num momento em que companhias aéreas correm para cumprir metas climáticas. A IBGE mostra que o transporte aéreo já responde por parcela crescente do IPCA; substituir querosene tradicional por combustível de menor emissão tende a suavizar pressões futuras sobre tarifas, reduzindo volatilidade cambial ligada às cotações de petróleo.
Além disso, a usina fotovoltaica de 20 MW projetada para 2026 deve cortar gasto com gás natural, liberando caixa para dividendos ou novos investimentos. Em outras palavras, a estratégia reforça a competitividade da Petrobras sem repassar custos ao consumidor num cenário de juros ainda elevados.
Como isso afeta o seu bolso? Se o SAF ganhar escala, passagens aéreas podem ficar menos expostas ao dólar e às flutuações do Brent. Para acompanhar cada passo dessa transição, acesse nossa editoria de Mercado e Ações.
Crédito da imagem: Divulgação / Petrobras