Novo CEO encara pressão para repetir ganhos sem precedentes
Berkshire Hathaway – A sucessão que o mercado aguardava por seis décadas começou oficialmente em janeiro de 2026, quando Greg Abel tomou o lugar de Warren Buffett no comando do conglomerado. O teste envolve decidir, sem o olhar de Buffett e sem Charlie Munger, onde alocar um caixa de aproximadamente US$ 300 bilhões, preservando o retorno anual médio de 19% que tornou a ação um ícone de Wall Street.
- Em resumo: Abel herda US$ 171 bilhões de “float” de seguros e um cofre de US$ 300 bilhões à espera de oportunidades.
Disciplina vs. Velocidade: o dilema de 2026
No último encontro de acionistas, Abel reforçou que manterá a filosofia de “comprar empresas extraordinárias a preços justos”, mas a liquidez recorde pressiona por resultados em um mercado mais caro. Segundo dados da Reuters, o S&P 500 negocia perto de 21 vezes o lucro esperado, nível acima da média de 10 anos, o que encurta a margem de segurança exaltada por Benjamin Graham.
“A pergunta é se ele consegue reconhecer um bom negócio quando este aparece, e ignorar quando não existe”.
O desafio é maior porque a Berkshire se beneficia do “float” — os prêmios de seguros recebidos hoje e pagos apenas no futuro — que somavam US$ 171 bilhões no fim de 2024. Se mal investidos, esses recursos deixam de gerar o juro composto que multiplicou valor desde 1965.
Histórico ensina, mas não garante futuro
A própria companhia coleciona exemplos opostos. A compra da See’s Candies, por US$ 25 milhões em 1972, rendeu US$ 1,35 bilhão em 35 anos com reinvestimento mínimo. Por outro lado, a aquisição da Dexter Shoe, em 1993, custou o equivalente a US$ 3,5 bilhões em ações que hoje valeriam mais de US$ 12 bilhões – um erro que Buffett expõe como lição para evitar novos tropeços.
Analistas lembram que a conjuntura mudou. A taxa básica dos EUA voltou a 4,50% após anos próxima de zero, o que significa que deixar caixa parado não é mais tão penalizante, mas também reduz o prêmio por risco em ações. Além disso, a digitalização acelera ciclos de negócios, exigindo decisões mais ágeis do que nos anos 1980.
Como isso afeta o seu bolso? A performance da Berkshire influencia fundos globais e ETFs que compõem portfólios de milhões de brasileiros. Se Abel errar a mão, o reflexo pode chegar ao seu extrato previdenciário. Para acompanhar os próximos movimentos do mercado, acesse nossa editoria de Mercado & Ações.
Crédito da imagem: Divulgação / Berkshire Hathaway