Transporte de cargas e aéreo lideram pior resultado desde outubro
IBGE – A Pesquisa Mensal de Serviços divulgada recentemente mostra que o volume do setor encolheu 1,2% em março de 2026 frente a fevereiro, interrompendo a breve estabilidade do mês anterior e sinalizando nova rodada de pressão sobre as estimativas de crescimento do PIB.
- Em resumo: todas as cinco atividades pesquisadas recuaram, com transportes caindo 1,7% e puxando o índice geral para baixo.
Transportes viram termômetro da desaceleração
O segmento de transportes, responsável por cerca de um terço do faturamento dos serviços, foi o epicentro da retração. A redução no transporte rodoviário de cargas e no transporte aéreo de passageiros contraiu a receita logística em um momento de custos ainda elevados com combustível.
“Setorialmente, todas as cinco atividades investigadas mostraram queda na comparação com o mês imediatamente anterior”, informou o analista da pesquisa Luiz Carlos de Almeida Junior.
Serviços profissionais, administrativos e complementares recuaram 1,1%, enquanto informação e comunicação — pilar fundamental para tecnologia e fintechs — diminuiu 0,9%. Já os “outros serviços” encolheram 2%, e as atividades prestadas às famílias, 1,5%, refletindo menor apetite por lazer e turismo.
PIB e juros: o que esperar após a queda
Serviços respondem por quase 70% do PIB nacional. A retração acumulada de 1,7% desde outubro de 2025 acende sinal de alerta para as próximas projeções de crescimento e pode reforçar a cautela do Banco Central na dosagem do ciclo de corte de juros.
No comparativo anual, há expansão de 3% e avanço de 2,3% no primeiro trimestre, mas o movimento de quatro quedas em cinco meses sugere perda de tração da economia doméstica. Para analistas consultados pela Reuters, o próximo Relatório Focus deve trazer revisões baixistas no PIB de 2026 caso o consumo de serviços não reaja a tempo do segundo semestre.
Historicamente, recuos prolongados no setor pressionam arrecadação de ISS nos municípios e diminuem a criação de vagas formais, afetando renda disponível das famílias. Caso o ritmo fraco persista, varejo e crédito ao consumidor tendem a sentir o baque, ainda que a inflação mais comportada garanta algum alívio no poder de compra.
Como isso afeta o seu bolso? Menor demanda por serviços pode esfriar o mercado de trabalho e, por tabela, conter reajustes salariais. Para acompanhar outros indicadores que mexem diretamente nas suas finanças, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / IBGE