Medidas de austeridade miram frear saída de dólares e segurar inflação
Governo da Índia — Na última sexta-feira (15), Nova Déli intensificou um apelo inédito: trabalhar de casa, evitar viagens e reduzir o consumo de combustível para conter o impacto da disparada do petróleo e proteger as reservas internacionais.
- Em resumo: Índia quer limitar gastos em energia e ouro depois que estatais elevaram, pela 1ª vez na crise, o preço da gasolina e do diesel.
Petróleo caro pressiona rúpia e balança comercial
Com cerca de 90% do petróleo consumido vindo do exterior, o país figura entre os mais expostos ao bloqueio parcial do Estreito de Ormuz. Segundo levantamento da Reuters, o Brent voltou a flertar com US$ 100 o barril, patamar que eleva a conta de importação e coloca a rúpia sob pressão.
Empresas estatais reajustaram gasolina e diesel em 15 de maio, movimento que sucede altas no gás de cozinha e alimenta temores de inflação mais alta nos grandes centros urbanos.
Ouro, home office e corte de viagens: a nova cartilha de Modi
Além da energia, o governo mira o segundo maior dreno de divisas: a paixão nacional pelo ouro. Somente em 2025, foram US$ 72 bilhões em importações. A tarifa passou de 6% para 15% para desestimular compras enquanto a guerra no Oriente Médio segue sem solução.
No mercado de trabalho, a orientação oficial é priorizar o home office e, sempre que possível, postergar deslocamentos internacionais. A razão é simples: cada litro economizado ajuda a conter a sangria cambial e reduz a necessidade de subsidiar combustíveis.
Como isso afeta o seu bolso? Se a Índia conseguir frear a demanda, a pressão global sobre preços pode arrefecer; caso contrário, a conta do barril caro chega ao europeu e ao brasileiro na bomba. Para acompanhar análises diárias sobre energia e câmbio, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / AFP