Queda atinge todas as atividades e intensifica debate sobre consumo
IBGE – A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada na última sexta-feira mostrou retração de 1,2% no volume de serviços em março, reforçando a percepção de desaceleração após cinco anos de forte expansão.
- Em resumo: Serviços acumulam baixa de 1,7% desde outubro de 2025, com transportes liderando o recuo.
Transportes puxam a freada e sentem peso do combustível
Segundo o IBGE, o segmento de transportes – sobretudo o rodoviário de cargas e o aéreo de passageiros – respondeu pela maior parcela da queda. O movimento coincide com a alta recente dos combustíveis e o encarecimento do frete, fatores que reduzem margens e encurtam rotas. Dados históricos da PMS indicam que o setor ainda opera cerca de 6% acima do nível pré-pandemia, mas a diferença vem diminuindo mês a mês, como mostram os dados oficiais.
“Setorialmente, todas as 5 atividades investigadas mostraram queda na comparação com o mês imediatamente anterior. O setor de transportes foi o principal responsável pela queda observada”, destacou Luiz Carlos de Almeida Júnior, responsável pela pesquisa.
Selic alta limita renda, mas transferências seguram impacto
Economistas da XP e da Suno apontam que o aumento do comprometimento de renda das famílias com dívidas continua freando serviços discricionários. Ao mesmo tempo, mercado de trabalho aquecido, salário-mínimo com ganho real e medidas de estímulo, como a reforma do IR, funcionam como “colchão” para o consumo.
O consenso de mercado mantém, por ora, crescimento de 1% do PIB no primeiro trimestre e avanço de 2% em 2026. A aposta é que indústria e varejo – favorecidos pela demanda externa por commodities e pela reabertura do crédito – compensem parte da fraqueza nos serviços.
Como isso afeta o seu bolso? Uma atividade de serviços mais fraca tende a reduzir vagas e esfriar reajustes salariais justamente quando a inflação de alimentos dá sinais de retorno. Entenda outros impactos e perspectivas nesta análise completa.
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