Relatório projeta efeito dominó do Oriente Médio sobre salários e postos de trabalho
Organização Internacional do Trabalho (OIT) – Em nova análise divulgada recentemente, a entidade alerta que um choque de 50% no preço do petróleo pode enxugar 1,1% das horas trabalhadas no planeta até 2027, o que equivale a 38 milhões de empregos formais a menos e a uma contração de US$ 3 trilhões na massa salarial global.
- Em resumo: subida brusca do barril ameaça postos de trabalho e poder de compra em escala mundial.
Choque no petróleo pressiona horas trabalhadas e renda
De acordo com o documento, um barril 50% mais caro tiraria 0,5% das horas trabalhadas já em 2026 e 1,1% em 2027. A perda de fôlego lembra a crise de 2020, mas desta vez vem pelo canal energético. Dados da Reuters mostram que o Brent já acumula alta de dois dígitos desde o início do conflito.
“A crise no Oriente Médio não é passageira; é um choque que pode redesenhar o mercado de trabalho global”, afirma Sangheon Lee, economista-chefe da OIT.
Áreas mais expostas e por que isso pesa no seu bolso
O estudo indica que Estados Árabes e Ásia-Pacífico sentirão o impacto primeiro: até 10,2% de queda nas horas trabalhadas no pior cenário para os países do Golfo e retração de até 4,3% na renda real asiática. A dependência de setores intensivos em energia — construção, manufatura, transporte e turismo — explica a vulnerabilidade.
Para o consumidor brasileiro, o efeito passa pelo repasse da cotação do petróleo a combustíveis e fertilizantes, o que pressiona inflação e pode limitar reajustes salariais. Historicamente, cada 10% de alta no barril adiciona cerca de 0,15 ponto percentual ao IPCA, segundo cálculos do Banco Central.
Como isso afeta o seu bolso? Se os custos de energia e alimentos subirem, sobra menos renda para consumo e investimentos. Para acompanhar estratégias de proteção em cenários voláteis, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / InfoMoney via REUTERS