Reconhecimento oficial das “áreas de risco” destrava caixa e modernização da rede
Ministério de Minas e Energia – Ao renovar por 30 anos a concessão da Light, na última sexta-feira, o governo federal incluiu cláusulas que atacam o maior gargalo da distribuidora carioca: perdas e inadimplência provocadas pelo crime organizado.
- Em resumo: novo contrato permite metas diferenciadas, aporte de até R$ 3,7 bi em capital e um plano recorde de R$ 10 bi em obras até 2031.
Metas flexíveis e tarifa social para cortar furtos de energia
Pela primeira vez, o contrato reconhece “áreas de risco”, onde indicadores de qualidade, perdas não técnicas e inadimplência serão tratados separadamente. Segundo a companhia, a possibilidade de tarifas mais baixas nessas regiões tende a diminuir fraudes, aliviando o caixa e melhorando o serviço.
“O reconhecimento das áreas críticas já é um avanço substancial”, declarou o CEO Alexandre Nogueira, destacando que a nova abordagem deve tornar a operação “financeiramente sustentável”.
Novo ciclo de investimentos e impacto no balanço
Com ativos depreciados e cabos centenários, a Light planeja aplicar R$ 10 bilhões em cinco anos – montante 20 vezes superior ao desembolsado em 2023. A cada exercício, os investimentos passarão a ser incorporados à base regulatória, prática alinhada à metodologia da ANEEL e comum em pares como CPFL e Enel, o que acelera a recuperação de capital.
Paralelamente, a dívida bruta já recuou de R$ 10,8 bi para R$ 4,9 bi durante a recuperação judicial. A renovação da outorga viabiliza aumento de capital de até R$ 3,7 bi, combinando dinheiro novo dos acionistas e conversão de passivos em equity. Com isso, a alavancagem pode cair para menos de 2x EBITDA, abrindo espaço para dividendos no médio prazo.
Como isso afeta o seu bolso? A redução de perdas ajuda a segurar reajustes tarifários futuros e pode melhorar a percepção de risco das ações da companhia. Para mais detalhes sobre o setor elétrico e movimentos de mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Ministério de Minas e Energia