Três gargalos ameaçam transformar vantagem geológica em oportunidade perdida
Ore Investments – Um levantamento recente reforça que, apesar de possuir algumas das maiores reservas do planeta, o Brasil responde por apenas 0,09% da produção global de minerais críticos, segmento vital para baterias, painéis solares e turbinas eólicas.
- Em resumo: demora de até 17 anos para licenciar minas, escassez de financiamento dedicado e falta de refinarias podem reduzir em R$243 bilhões o valor agregado até 2050.
Licenciamento ambiental: o cronômetro de 17 anos que assusta o capital
Dados da consultoria S&P Global citados pela Reuters mostram que o tempo médio entre descoberta e operação de uma mina já ultrapassa 17 anos, quase o dobro de 15 anos atrás. No Brasil, o emaranhado de competências entre União, estados e municípios amplia o risco de judicialização, elevando a incerteza regulatória e o custo de capital.
“Sem previsibilidade, projetos promissores podem nunca sair do papel, deixando o país à margem da nova corrida pelos minerais estratégicos”, alerta o estudo mencionado pela gestora.
Capital e verticalização podem multiplicar o PIB em até cinco vezes
Enquanto o agronegócio conta com o FIAGRO e a infraestrutura com debêntures incentivadas, a mineração ainda espera um veículo equivalente – o proposto FI-Min – para destravar crédito de longo prazo. Sem instrumentos específicos, investidores estrangeiros ditam o ritmo e concentram a captura de valor.
O gargalo não para no crédito. Hoje, só 10% dos mais de 500 ativos mapeados pela Ore estão operacionais; sem usinas de refino locais, o país segue exportando minério bruto. Estudo da Deloitte revela que, se o Brasil minerar, beneficiar e refinar internamente, o impacto no PIB pode saltar de R$47 bilhões para R$243 bilhões até 2050 – um ganho de cinco vezes.
Como isso afeta o seu bolso? A falta de oferta doméstica pressiona o custo de produção de eletrônicos, veículos elétricos e equipamentos de energia limpa, repassando preços ao consumidor. Para mais análises sobre cadeias produtivas estratégicas, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Ore Investments