Nova escalada do petróleo ameaça encarecer combustíveis e alimentos
Banco Central do Brasil – Em nota de projeções divulgada recentemente, a autarquia admite que o salto do Brent para US$ 126 o barril tende a prolongar a pressão inflacionária até o fim de 2026.
- Em resumo: barril 80% mais caro desde 2022 eleva custos de energia, transporte e fertilizantes, com reflexo direto no bolso do consumidor.
Cadeia de custos: do tanque à prateleira
Quando o barril sobe, o repasse nos combustíveis costuma ser quase imediato. De acordo com um levantamento da Reuters, cada alta de 10% no petróleo tende a gerar aumento de até 3% na gasolina brasileira em poucas semanas.
“O aumento dos preços do petróleo tem um efeito indireto não apenas no combustível, mas em produtos relacionados, na inflação e em todos os fatores do nosso dia a dia”, observa Naveen Das, analista sênior da Kpler.
Além do transporte, insumos como plástico, embalagens e fertilizantes encarecem a produção de alimentos. Companhias aéreas já sinalizam reajustes de passagens ou corte de rotas diante do diesel de aviação mais caro.
Inflação persistente reacende debate sobre juros
No Brasil, a inflação acumula 4,3% nos últimos 12 meses, próximo ao teto da meta. Caso a pressão vinda do petróleo se mantenha, economistas não descartam a necessidade de o Comitê de Política Monetária frear o ritmo de cortes na Selic, atualmente em 9,75% ao ano.
Historicamente, cada choque de petróleo adiciona de 0,3 a 0,5 ponto percentual ao IPCA em um intervalo de seis meses, segundo séries do próprio Banco Central. Na década passada, choques semelhantes levaram a autoridade monetária a elevar agressivamente os juros para ancorar expectativas.
Como isso afeta o seu bolso? Alta nos combustíveis, elevação de preços no supermercado e juros mais caros impactam diretamente renda e crédito. Para acompanhar análises diárias sobre economia e política, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images via BBC