Nova cadeia nacional de lúpulo promete sacudir cervejarias e farmacêuticas
Coppe/UFRJ – Nesta semana, a instituição apresentou um plano que pode multiplicar as colheitas de lúpulo no país, derrubar a dependência de importações e abrir espaço para um mercado doméstico estimado em R$ 878 milhões ao ano.
- Em resumo: manejo tropical pretende chegar a 2,5 safras anuais e substituir parte das 7 mil t importadas hoje.
Produtividade tropical: até 2,5 safras por ano
O lúpulo costuma render apenas uma colheita anual nas regiões frias que dominam o comércio mundial. No entanto, testes conduzidos no Centro Avançado em Sustentabilidade (Casulo) indicam que, com suplementação luminosa e agricultura de precisão, o Brasil pode triplicar esse desempenho, segundo levantamento da Reuters sobre as novas rotas de cultivo em clima quente.
“Estamos falando de estruturar uma nova cadeia produtiva no país, integrando cultivo, processamento industrial e controle de qualidade em laboratório próprio”, explica Amanda Xavier, coordenadora do projeto.
Importações em xeque e potencial de R$ 878 milhões
Em 2024, a produção mundial de lúpulo fechou em 114 mil t, enquanto o Brasil respondeu por tímidas 81 t – apenas 1,11% da sua própria demanda. Com o câmbio mais pressionado nos últimos trimestres, cada quilo importado custa mais às cervejarias, comprimindo margens e, por tabela, o preço pago pelo consumidor. Ao dominar o cultivo local, a indústria pode reduzir o custo logístico e blindar-se de oscilações cambiais, prática parecida com o que ocorreu nas cadeias de soja e trigo nas últimas décadas.
A Coppe, em parceria com a Associação Brasileira do Lúpulo (Aprolúpulo), já publicou o Mapa do Lúpulo Brasileiro 2024, que orienta investidores sobre regiões mais propícias ao plantio, infraestrutura necessária e metas de capacitação. A estratégia inclui extratos de alto valor agregado obtidos por extração com CO2, produto demandado por setores de alimentos, cosméticos e farmacêutico.
Como isso afeta o seu bolso? Se o plano avançar, a cerveja nacional tende a sofrer menos com repasses de custos externos e novos empregos qualificados podem surgir nos polos escolhidos. Para mais detalhes sobre temas de economia e política agrícola, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Reuters / Thomas Banneyer