Venda de Fiagro turbina números, mas a linha operacional continua no vermelho
Boa Safra (SOJA3) – A produtora de sementes divulgou, recentemente, lucro líquido de R$ 27,4 milhões no 1T26, mas sem o ganho pontual da alienação das cotas remanescentes do SNAG11 o resultado recorrente desabou 36%, para R$ 3,7 milhões.
- Em resumo: efeito não recorrente escondeu Ebitda ajustado ainda negativo em R$ 25,4 milhões.
Carteira recorde de R$1,5 bi sustenta a tese de crescimento
Apesar do recuo operacional, a companhia fechou março com pedidos firmes que superam em R$ 100 milhões o recorde anterior, sinalizando demanda consistente no agronegócio. Dados de mercado compilados pela Bloomberg mostram que a expansão de novos cultivos – milho, trigo e insumos – já responde por 76% da receita no trimestre.
“A notícia boa do balanço é a carteira de pedidos. Ela não deixa de ser um guia para o que vai ocorrer ao longo do ano”, ressaltou o CEO Marino Colpo no release de resultados.
Dívida alongada, mas custo financeiro avança 78%
A emissão de CRA em 2025 elevou a dívida bruta para R$ 1,63 bilhão e puxou as despesas financeiras a R$ 79,3 milhões. O caixa de R$ 777,2 milhões garante fôlego no curto prazo, com apenas R$ 61,7 milhões vencendo em 12 meses, mas pressiona o lucro ex-SNAG11 enquanto a Selic permanece em patamar elevado.
Para colocar os números em perspectiva, o setor de sementes costuma concentrar suas entregas no segundo semestre. Historicamente, segundo série do Banco Central, as empresas agrícolas registram margens mais apertadas no primeiro trimestre, quando a safra ainda não gera caixa relevante.
Como isso afeta o seu bolso? A rentabilidade só deve aparecer quando a nova safra entrar no balanço; até lá, o mercado avaliará a capacidade da Boa Safra de converter a carteira recorde em fluxo de caixa. Para mais análises sobre o setor de agronegócio na Bolsa, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Boa Safra