Estudo alerta para efeito dominó das apostas no consumo e no crédito
Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) — Em análise econométrica divulgada recentemente, a entidade calcula que o boom das plataformas de bets retirou R$ 143 bilhões do varejo entre janeiro de 2023 e março de 2026, criando um rombo que já se compara a dois Natais inteiros de vendas.
- Em resumo: 270 mil famílias migraram para inadimplência severa (90+ dias) por causa das apostas.
Quando o “entretenimento” vira passivo financeiro
O gasto mensal com apostas eletrônicas superou R$ 30 bilhões no período, reduzindo a renda disponível para dívidas correntes, aponta o levantamento. Dados do Banco Central já mostram que 80,4% dos lares brasileiros estão endividados, nível semelhante ao pico registrado em 2022.
“As bets configuram risco sistêmico para a saúde financeira das famílias, drenando recursos que iriam para consumo produtivo”, destaca Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.
Impacto macroeconômico e quem sente primeiro
Segundo a CNC, homens, famílias de até cinco salários mínimos e pessoas acima de 35 anos com ensino médio completo são os mais vulneráveis. Essa deterioração do orçamento doméstico tende a sacrificar compras discricionárias — celulares, vestuário e até itens essenciais —, pressionando o varejo e, por consequência, o PIB de serviços.
Especialistas lembram que o governo editou em 2023 uma Medida Provisória para taxar e regular o mercado de apostas esportivas. A iniciativa buscou equilibrar arrecadação e proteção ao consumidor, mas ainda depende de regulamentação definitiva, segundo reportagem da Reuters.
Como isso afeta o seu bolso? A persistência da inadimplência encarece o crédito ao consumidor e pode limitar ofertas de parcelamento no varejo. Para mais análises sobre endividamento e políticas econômicas, acesse nossa editoria especializada.
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