Senado pressiona por votação, mas lobby bancário vê risco de fuga de depósitos
American Bankers Association (ABA) e outros cinco grupos nacionais advertiram, recentemente, que o atual rascunho da Clarity Act — proposta de regulação de criptoativos nos Estados Unidos — contém lacunas que permitiriam “recompensas” em stablecoins, esvaziando as contas de poupança convencionais.
- Em resumo: bancos temem que clientes migrem para stablecoins com rendimento disfarçado, reduzindo a base de depósitos.
Stablecoins na mira: entenda a disputa por rendimentos
Pelo texto de compromisso costurado pelos senadores Thom Tillis e Angela Alsobrooks, ficariam proibidos pagamentos “economicamente equivalentes” a juros bancários. Porém, recompensas ligadas a staking, governança ou mesmo ao tamanho do saldo poderiam escapar ao veto, segundo análise da Reuters.
“Estamos preocupados… que a linguagem proposta inclui exceções que permitirão a evasão da proibição pretendida e incentivarão os clientes a manter e aumentar os saldos de stablecoins às custas dos depósitos”, escreveram as entidades bancárias na carta ao Comitê Bancário do Senado.
Pressão política e o que muda para investidores
A votação do comitê está marcada para 14 de maio e ocorre em janela apertada: o Congresso trabalha apenas mais duas semanas antes do recesso eleitoral. Se o texto não avançar agora, parlamentares como o republicano Bernie Moreno avaliam que uma lei sobre ativos digitais só voltará à pauta “em futuro distante”.
Do ponto de vista macro, a polêmica surge em meio aos juros básicos norte-americanos no maior nível em 23 anos, cenário que faz dos depósitos bancários um pilar de funding. Já o mercado de stablecoins, que movimenta mais de US$ 150 bilhões, busca legitimidade regulatória para oferecer produtos semelhantes a fundos de mercado monetário — historicamente atrativos em ciclos de aperto do Federal Reserve.
Como isso afeta o seu bolso? Se recompensas em stablecoins forem liberadas, plataformas cripto podem passar a pagar rendimentos acima da poupança brasileira, intensificando a concorrência global por liquidez. Para acompanhar de perto a evolução dessa disputa regulatória, acesse nossa editoria de Tecnologia Financeira.
Crédito da imagem: Divulgação / Senado dos EUA