Rentabilidade fora da curva acende alerta para seleção de ações no Brasil
Guepardo Investimentos – A gestora paulista, que administra R$ 5,96 bilhões, divulgou carta trimestral mostrando retorno acumulado de 11.500% desde maio de 2001, equivalente a 21,1% ao ano, já líquido para o cotista.
- Em resumo: desempenho 36 vezes superior ao CDI no período, sustentado por carteira concentrada em sete companhias listadas na B3.
Aposta central em Vulcabras e giro cirúrgico nos shoppings
Entre as posições, a favorita é a Vulcabras (VULC3), que superou R$ 1 bilhão em receita trimestral e emplacou o 22º balanço seguido de alta. Para a Guepardo, o mix de produtos com maior valor agregado explica margens mais gordas mesmo sem forçar volume – dinâmica que costuma destravar múltiplos, segundo histórico da própria B3.
“Investir em boas empresas com visão de longo prazo continua sendo a melhor forma de multiplicar patrimônio no Brasil”, reforça a carta da gestora.
No segmento de shopping centers, a preferida é Allos (ALOS3). A companhia entregou crescimento de 7,5% no EBITDA de 2025 e projeta dividendos mensais de R$ 0,29 por ação em 2026, mantendo alavancagem abaixo de 2 vezes.
Petróleo, saúde e aço: onde a gestora enxerga gatilhos de valor
Grupo Ultra (UGPA3) surge como beneficiário potencial da volatilidade no petróleo: acesso privilegiado a cotas da Petrobras e capacidade de importação conferem vantagem competitiva no cenário de tensão no Oriente Médio.
Na saúde, Fleury (FLRY3) reforçou a tese ao incorporar o laboratório FEMME por R$ 207 milhões, movimento considerado disciplinado e sinérgico. Já Rumo (RAIL3) é vista como “jogada de paciência”: depois de um 2025 de tarifas acomodadas, a ferrovia volta a embalar com a alta dos combustíveis que favorece o transporte ferroviário.
Gerdau (GGBR4) e Klabin (KLBN11) completam o time. A siderúrgica obtém 73% do EBITDA nos EUA, mas a gestora aposta em mudança de vento no Brasil caso avancem medidas antidumping sobre aço chinês. A produtora de celulose, mesmo após paradas de manutenção, mantém desalavancagem e portfólio diversificado.
Contexto histórico: por que 21% ao ano impressiona tanto?
Para se ter ideia, o Ibovespa entregou cerca de 8% ao ano em média nas últimas duas décadas, segundo levantamento da Reuters. Superar esse índice em quase três vezes, e por um quarto de século, coloca o fundo entre a elite global de “compounding machines”. Parte da façanha vem da disciplina: carteira concentrada, baixa rotatividade e nervos de aço em crises como 2008 e 2020.
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Crédito da imagem: Divulgação / B3