Alta de preços persiste enquanto autonomia do banco central vira trunfo político
Federal Reserve dos Estados Unidos – Ao encerrar oito anos como chairman nesta sexta-feira (15), Jerome Powell deixa um Fed pressionado por inflação ainda distante da meta de 2% e por ataques políticos que testaram a autonomia da instituição – um combo que segue no radar de quem investe em dólar, renda fixa ou Bolsa americana.
- Em resumo: inflação bateu 9,1% em 2022, forçando juros de quase 0% para até 4,5% em um ano.
Do pico de 9,1% ao juro agressivo
Entre 2020 e 2022, o Fed turbinou o balanço para US$ 9 tri e manteve a taxa básica próxima de zero. Quando os gargalos de oferta pós-Covid empurraram o índice de preços ao maior nível em 40 anos, veio a virada: nove altas consecutivas de juros. Segundo dados da Reuters, essa escalada represou crédito, esfriou o consumo e elevou o custo global de captação, inclusive para países emergentes.
“Interpretar a alta inicial dos preços como transitória foi um erro grave”, avaliou Hung Tran, ex-FMI, citando o atraso do Fed em iniciar o aperto monetário.
Independência institucional na mira da política
Se, do lado econômico, o atraso no combate à inflação gera críticas, do lado político Powell sai fortalecido. Ao resistir às pressões do então presidente Donald Trump por cortes de juros em plena campanha, o chairman reforçou um princípio firmado no Acordo de 1951: política monetária livre de influência direta do Tesouro. Economistas como Mohamed El-Erian projetam que esse gesto de autonomia “pode blindar o Fed em futuras crises”.
No entanto, a supervisão bancária vacilou. As quebras do Silicon Valley Bank e do First Republic expuseram falhas no monitoramento de liquidez e duration, obrigando revisões internas. Para investidores, o episódio acendeu alerta sobre risco sistêmico justamente quando o custo do dinheiro subia.
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Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS