Reajuste generalizado pressiona poder de compra nos grandes centros
Dieese – Na leitura de abril de 2026, o custo da cesta básica aumentou em todas as 27 capitais pelo segundo mês seguido, elevando a média paulista a R$ 906,14, a mais cara do país e 46% superior ao valor registrado em Aracaju.
- Em resumo: O salário mínimo necessário saltou para R$ 7.612,49, 4,7 vezes o piso nacional de R$ 1.621,00.
Capitais do Norte e Nordeste resistem, mas diferença encurta
Apesar de Aracaju (R$ 619,32) e São Luís (R$ 639,24) figurarem entre os menores valores, a aceleração observada em Porto Velho (5,60%) e Fortaleza (5,46%) aponta para um encarecimento disseminado. Segundo indicadores oficiais do IBGE, o grupo Alimentação e Bebidas já acumula alta superior a 4% no ano, reforçando a perda de renda real em regiões historicamente mais sensíveis.
“O leite integral subiu em todas as capitais, chegando a 15,70% em Teresina, reflexo da entressafra e da oferta reduzida”, destaca o relatório do Dieese.
Inflação de alimentos reacende debate sobre política salarial
Nos 12 meses encerrados em abril, 18 capitais registraram cesta mais cara, com picos de 9,99% em Cuiabá e 7,14% em Salvador. A trajetória coincide com as projeções de mercado para a inflação oficial, que voltaram a subir na última pesquisa Focus do Banco Central, indicando IPCA de 4,91% para 2026.
Especialistas lembram que a regra de valorização do salário mínimo leva em conta crescimento do PIB e variação do INPC, mas raramente acompanha saltos localizados nos alimentos. Caso a pressão persista, a lacuna entre rendimento real e custo básico tende a se ampliar, restringindo ainda mais o consumo e impactando setores como varejo e serviços.
Como isso afeta o seu bolso? A cesta é termômetro direto da inflação sentida no dia a dia; cada porcento de alta representa menos poder de compra imediato. Para acompanhar análises diárias sobre inflação e renda, acesse nossa editoria especializada.
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