Câmbio ganha fôlego com superávit recorde, mas inflação teima em subir
BTG Pactual – Em revisão divulgada recentemente, o banco reduziu sua projeção para a cotação do dólar ao fim de 2026, de R$ 5,20 para R$ 4,90, e sinalizou que a taxa Selic deve encerrar o ciclo de cortes em 13% ao ano. O ajuste coloca o Brasil numa posição rara: câmbio mais favorável em meio a choques globais de petróleo, mas ainda sem alívio rápido nos juros.
- Em resumo: dólar mais fraco alivia importados, mas Selic elevada prolonga o aperto no crédito.
Câmbio firme: petróleo caro vira aliado inesperado
Com o barril acima de US$ 100, o Brasil — exportador líquido de petróleo — capta mais dólares, sustentando o real. Segundo dados da Reuters, a moeda brasileira se valorizou mais de 4% desde o início do conflito no Oriente Médio, enquanto pares como peso chileno e lira turca perderam terreno.
“O BTG reduziu a estimativa para o dólar ao fim de 2026: de R$ 5,20 para R$ 4,90.”
O relatório calcula superávit comercial histórico de US$ 90 bi em 2026, ancorado na produção recorde de 4,2 mi de barris diários. Esse fluxo de caixa ajuda a blindar o país de choques externos, mas não impede repasses de preços domésticos — especialmente combustíveis.
Juros e inflação: alívio lento para o consumidor
Depois de levar a Selic a 15% para conter choques de preços, o Banco Central iniciou cortes graduais de 0,25 p.p. por reunião. Mesmo assim, o BTG vê a taxa parando em 13% — patamar ainda corrosivo para o crédito. Para comparação, entre 2017 e 2019 a Selic média ficou abaixo de 7%, o que impulsionou financiamentos e consumo.
No front inflacionário, a projeção para o IPCA em 2026 subiu para 4,9%, acima da meta de 3%. A defasagem de 45% entre preços internos e externos de gasolina e diesel sugere reajustes da Petrobras, ainda que o governo planeje compensar parte via impostos. Além disso, o risco de El Niño reforça pressão sobre alimentos, enquanto serviços mostram resiliência típica de mercado de trabalho aquecido.
Como isso afeta o seu bolso? Moeda mais forte tende a baratear eletrônicos e viagens ao exterior, mas juros persistentes mantêm parcelas de cartão, financiamento e cheque especial nas alturas, corroendo renda disponível. Para mais detalhes sobre este tema, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / BTG Pactual