Déficit primário agrava cenário fiscal e acende alerta para juros futuros
Banco Central do Brasil (BC) — Dados divulgados recentemente mostram que o endividamento público nacional avançou a 80,1% do PIB em março, acima da mediana de 79,6% projetada por analistas, aumentando a pressão sobre o custo do dinheiro e sobre o plano fiscal do governo.
- Em resumo: Rombo de R$ 80,7 bilhões no mês impôs à dívida bruta a maior alta desde o início do ano.
Déficit maior que o previsto agrava percepção de risco
O déficit primário de R$ 80,676 bilhões superou em 21% a estimativa do mercado, segundo levantamento da Reuters, refletindo sobretudo o desequilíbrio nas contas do governo central e de Estados e municípios.
“Em março, o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 80,676 bilhões”, informa o BC em seu Relatório de Estatísticas Fiscais.
A surpresa negativa aumentou a inclinação da curva de juros futuros, enquanto o dólar ganhou terreno frente ao real, num movimento de proteção dos investidores.
Por que o indicador preocupa e o que diz a série histórica
Aos 80,1%, a dívida bruta encosta no teto simbólico de 80% defendido por parte dos economistas como limite para manter o grau de segurança fiscal. Em 2014, o mesmo indicador girava abaixo de 60%, escalando após a recessão de 2015-2016 e o choque da pandemia.
Especialistas lembram que cada ponto percentual adicional na relação dívida/PIB encarece o serviço da dívida e reduz a margem para políticas anticíclicas. Além disso, o déficit corrente pressiona o arcabouço fiscal, que condiciona o crescimento real de despesas a 70% da variação das receitas.
Como isso afeta o seu bolso? Se a trajetória não for revertida, o mercado pode exigir prêmios maiores nos títulos públicos, encarecendo crédito e financiamentos. Para acompanhar os próximos passos da política fiscal, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central