Pagamento concentrado de precatórios distorceu as contas do mês
Tesouro Nacional — Ao divulgar o desempenho das contas públicas nesta quarta-feira (29), a pasta informou que o governo central encerrou março com déficit primário de R$ 73,783 bilhões, o pior resultado para o mês em três décadas e bem acima das projeções do mercado.
- Em resumo: a antecipação de R$ 34,9 bilhões em precatórios inflou as despesas e puxou o rombo mensal.
Pressão de gastos e frustração de expectativas
O desequilíbrio veio acima dos R$ 71,6 bilhões esperados por economistas consultados pela Reuters, evidenciando a dificuldade de conter a expansão das despesas obrigatórias.
“O desempenho do mês passado reflete receitas líquidas de R$ 196,1 bilhões, alta real de 7,5% sobre 2025, contra despesas totais de R$ 269,9 bilhões, avanço real de 49,2%”, detalhou o Tesouro.
Meta fiscal e risco para a dívida pública
No acumulado em 12 meses, o déficit atinge R$ 136,5 bilhões, equivalente a 1,03% do PIB. Embora o novo arcabouço fiscal permita um déficit de até 0,25% do PIB em 2026, analistas temem que episódios de concentração de gastos — como o pagamento de sentenças judiciais — comprometam o esforço de estabilizar a dívida bruta, que já supera 75% do PIB.
Historicamente, o mês de março registra superávits ou pequenos déficits devido à entrada de tributos de início de ano. A inversão deste padrão reforça o debate sobre prioridades orçamentárias e a necessidade de elevar a arrecadação sem frear a atividade econômica.
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