Rentabilidade menor e inadimplência maior mudam o humor do mercado
Santander Brasil – Ao abrir a temporada de balanços bancários do 1T26, o banco reportou lucro líquido recorrente de R$ 3,8 bilhões, 1,9% inferior ao visto um ano antes e abaixo do consenso de R$ 4,066 bilhões. O desempenho fraco já influencia expectativas para os demais grandes bancos.
- Em resumo: rentabilidade cai para 16% e inadimplência avança a 3,3%, sinalizando ciclo de crédito mais seletivo.
ROE menor acende sinal amarelo, mesmo acima da Selic
A queda de 1,6 ponto no retorno sobre o patrimônio líquido coloca o Santander atrás das projeções de analistas. Segundo dados compilados pela Reuters, o mercado projetava 17,5% de ROE. Ainda assim, a taxa de 16% segue batendo a Selic, hoje em 14,75% ao ano, mas a margem de segurança ficou mais curta.
“A pressão veio de maiores provisões e de uma margem financeira mais apertada, reflexo do alto endividamento das famílias”, destacou o banco no balanço.
Do lado dos ativos, a carteira de crédito ampliada avançou 3,4% na comparação anual, mas encolheu 0,4% frente ao 4T25, para R$ 705,5 bilhões. A retração sazonal em cartões e o efeito câmbio pesaram no resultado.
Inadimplência sobe e provisões avançam: o que observar nos próximos trimestres
O índice de devedores acima de 90 dias subiu para 3,3%, ampliando a formação de NPLs para R$ 7,1 bilhões. Já as provisões para devedores duvidosos somaram R$ 6,3 bilhões, alta de 3,9% no trimestre. Historicamente, esse movimento tende a antecipar margens menores, pois o banco precisa reservar parte do lucro para possíveis calotes.
Especialistas lembram que, em ciclos de crédito apertado, instituições costumam priorizar linhas com garantia real e clientes de maior renda, estratégia que o Santander já vem adotando desde 2025. Caso o desemprego ou a inflação surpreendam negativamente, o ritmo de provisões pode permanecer elevado.
Como isso afeta o seu bolso? Se o banco mantém mais capital parado em provisões, sobra menos espaço para ofertas agressivas de crédito e limites de cartões, impactando consumo e financiamento. Para acompanhar cada movimento dos bancões e seus reflexos no mercado de ações, acesse nossa editoria de Mercado e Ações.
Crédito da imagem: Divulgação / Santander Brasil