Modelo agroflorestal eleva qualidade do conilon e atrai prêmio de mercado
Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) — Técnicos têm verificado que o conilon cultivado em agroflorestas no Espírito Santo já está sendo negociado por valores até quatro vezes superiores aos de lavouras convencionais, impulsionando a rentabilidade de pequenos e médios cafeicultores.
- Em resumo: Conilon sombreado, colhido mais tardiamente e com manejo orgânico, sai do estado liderando preços premium no mercado interno.
Sombra e solo vivo turbinaram o preço do quilo
No sistema, as copas de árvores nativas regulam a temperatura e prolongam a maturação dos frutos, concentrando açúcares e compostos aromáticos. Esse diferencial de qualidade, reconhecido em laudos sensoriais, ganha força em um momento em que a cotação do robusta em Londres renovou recordes, segundo dados da Reuters, por causa da oferta global apertada.
“A forma de manejo e o cuidado no pós-colheita estão resultando em cafés de excelente qualidade, que têm potencial para se destacar no mercado”, aponta o técnico agrícola Tássio Sousa.
Liderança capixaba e cenário global reforçam demanda
Responsável por cerca de 70% da produção brasileira de conilon, o Espírito Santo cultiva 286 mil hectares em 49 mil propriedades. Como o grão especial agrega valor, o impacto vai além da fazenda: cada R$ 1 recebido a mais no campo movimenta indústrias de torrefação, exportadoras e, por tabela, o PIB agrícola estadual — segmento que já responde por 38% da economia local.
Como isso afeta o seu bolso? Preços mais altos no produtor tendem a ser repassados, em parte, ao consumidor final, puxando o valor do café especial nas prateleiras. Para acompanhar outras movimentações que mexem no seu poder de compra, acesse nossa editoria de Economia e Política.
Crédito da imagem: Divulgação / TV Gazeta