Pressão cambial faz Nova Délhi mirar no metal precioso
Governo da Índia – Em declaração de 10 de maio, o primeiro-ministro Narendra Modi solicitou que a população evite comprar ouro por um ano, movimento reforçado, três dias depois, pelo aumento da tarifa de importação de 6% para 15%. A manobra tenta conter a saída de dólares, sustentar a rúpia e minimizar o efeito inflacionário causado pela disparada do petróleo pós-tensão no Oriente Médio.
- Em resumo: tarifa quase triplicada busca poupar US$ 72 bi anuais em divisas gastas com ouro.
Tarifa recorde pretende poupar dólares e segurar a rúpia
O salto na alíquota coloca o segundo maior consumidor mundial de ouro atrás apenas da China em restrições. Segundo dados compilados pela Reuters, mais de 90% do metal comercializado no país é importado, tornando-o um dreno relevante de reservas cambiais justamente quando o barril de petróleo subiu até 70% após o fechamento do Estreito de Ormuz.
“Durante um ano, não compraremos joias de ouro, mesmo em eventos familiares”, pediu Modi, ao classificar o gesto como dever patriótico diante da crise energética.
O que a restrição ao ouro significa para inflação e investimentos
O metal representa cerca de 9% de todas as importações indianas e, historicamente, funciona como “poupança” familiar: estima-se que lares do país concentrem até 25 mil toneladas de ouro. Quando a demanda recua, sobram dólares no caixa do Banco Central indiano – aliviando a pressão sobre a rúpia e, por tabela, sobre os preços internos de combustíveis e alimentos. Situação semelhante em 2013 fez o contrabando avançar, mas também ajudou a reduzir o déficit em conta-corrente.
Para o investidor global, um recuo de compras indianas pode empurrar as cotações para baixo no curto prazo; já analistas da Oxford Economics avaliam que o impacto tende a ser limitado porque a formação de preço hoje reage mais a incertezas geopolíticas e apostas de grandes fundos.
Como isso afeta o seu bolso? Uma rúpia mais forte reduz pressões inflacionárias que costumam contaminar commodities e, indiretamente, mercados emergentes como o Brasil. Para acompanhar outros desdobramentos macroeconômicos, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images via BBC