Resultado frustra, mas projeções explosivas mantêm aposta viva
Nubank divulgou seu balanço do 1º tri com lucro líquido de US$ 871 milhões, avanço anual de 41%, porém abaixo do consenso. A cifra somada ao salto na inadimplência para 5% fez o papel afundar 14,7% em cinco pregões, reacendendo dúvidas sobre a qualidade da carteira em um cenário de juros mais teimosos.
- Em resumo: mesmo após o tombo, XP, BTG, Citi, Safra e Itaú BBA reiteram “compra” e miram até 83,3% de valorização.
Balanço abre brecha de compra?
Em entrevista à Reuters, o CFO Guilherme Lago atribuiu o aumento das provisões – 38% acima do trimestre anterior – à sazonalidade, não a um deterioro estrutural. As instituições lembram que o 1º trimestre costuma concentrar maiores atrasos e que a carteira expandida em 40% para US$ 37,2 bi exige colchão de segurança maior.
“O mercado parece ‘vender primeiro e perguntar depois’. Queremos ver se Nu reagirá diferente nos próximos dias”, ponderou o BTG em relatório.
Ciclo de crédito e valuation: onde mora a incerteza
O receio de um ciclo de crédito mais duro persiste no Brasil: a expectativa de queda da Selic desacelerou com pressões externas — guerra no Oriente Médio e juros longos americanos —, fator que mantém o custo de captação elevado para fintechs. Ainda assim, o múltiplo de 13 × lucro estimado para 2026 deixa o roxinho entre os menores níveis históricos, argumento central dos otimistas.
Historicamente, bancos digitais ampliam margem quando o indicador de inadimplência recua após o pico sazonal. Se o padrão se repetir e o guidance de expansão internacional consumir menos de 100 pontos-base de eficiência, o gatilho de reprecificação pode vir antes do esperado.
Como isso afeta o seu bolso? Um rally de 80% multiplicaria quase por dois o valor dos BDRs ROXO34, mas o curto prazo segue volátil. Para mais análises de Mercado e Ações, visite nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Nubank