Com Selic nas alturas, onde ainda há fôlego para ganhos?
Banco Central do Brasil – A manutenção da taxa Selic em patamar de dois dígitos continua a pressionar as ações de menor capitalização, ampliando o descompasso de desempenho em relação ao Ibovespa e exigindo cautela dos investidores agressivos que miram oportunidades de retorno doméstico.
- Em resumo: small caps acumulam queda de 14,7% em cinco anos, enquanto o Ibovespa subiu 62,2%, refletindo os juros a 14,75% ao ano.
Por que os juros esmagam as small caps
Quando o custo do dinheiro sobe, as empresas menores sentem primeiro: crédito fica caro, projetos demoram a gerar caixa e o fluxo de investidores estrangeiros migra para renda fixa. Dados do compilado da Reuters mostram que cada ciclo de alta de 1 ponto percentual na Selic tende a reduzir em até 4% o múltiplo preço/lucro médio desse segmento.
“Só veremos recuperação sólida quando a Selic cair para algo entre 10% e 12%, acompanhada de melhora fiscal e ambiente eleitoral pró-mercado”, alerta Daniel Utsch, gestor da Nero Capital.
Setores que podem descolar antes da virada dos juros
Mesmo sob juros altos, alguns nichos ganham tração. No canteiro de obras, analistas divergem: enquanto Werner Roger, da Trígono Capital, prefere construtoras ligadas à alta e baixa renda, Utsch enxerga valor nas empresas focadas em classe média – casos de Eztec, Tecnisa e Even, ainda descontadas.
No agronegócio, receitas em dólar oferecem proteção natural. Já no varejo, a palavra-chave é seletividade: esportivo (Vulcabrás) e joalheria (Vivara) sustentam margens mesmo com o bolso do consumidor apertado. Para exposições defensivas, nomes com geração de caixa previsível, como Taesa, ou seguradoras que lucram com maiores taxas de aplicação, entram no radar.
Historicamente, o Índice Small Cap (SMLL) costuma antecipar movimentos do ciclo de crédito em até seis meses. Se a trajetória de queda da Selic, iniciada em março, prosseguir, posições graduais nessas teses podem capturar o início do próximo rali, lembram estrategistas.
Como isso afeta o seu bolso? A persistência da Selic alta exige disciplina: carteira diversificada, caixa para aproveitar correções e olhar cirúrgico nos balanços das pequenas e médias empresas. Para mais análises sobre Bolsa e juros, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / B3