Julgamento pode deslocar receitas de entes produtores para não produtores, afetando orçamentos já contratados
Supremo Tribunal Federal (STF) – Após 13 anos de limbo judicial, a Corte incluiu na pauta a ação que questiona a lei de 2012 responsável por redistribuir os royalties do petróleo entre estados e municípios. O tema, travado desde a liminar da ministra Cármen Lúcia em março de 2013, poderá redefinir o destino de uma receita bilionária que abastece cofres regionais e financia investimentos em saúde, educação e infraestrutura.
- Em resumo: STF decidirá se mantém modelo atual, que prioriza entes produtores, ou libera a partilha ampliada prevista pela lei.
Por que a pauta voltou e o que está em jogo
A presidência do STF agendou o julgamento para a sessão de 20 de junho, antecipando um debate que envolve interesses políticos e fiscais de Norte a Sul do país. Segundo cálculos do serviço de dados da Reuters, a arrecadação total de royalties superou R$ 117 bilhões nos últimos cinco anos – valor que pode mudar de mãos a depender do resultado.
Norma suspensa dá a estados e municípios que não produzem petróleo direito a parte dos ganhos.
Na prática, a lei 12.734/2012 amplia a fatia destinada a entes não produtores e reduz porcentagens de Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, principais polos offshore. Governadores destes estados alertam para “grave risco fiscal” caso percam os recursos já comprometidos em seus orçamentos.
Impacto macroeconômico e consequências para o contribuinte
Os royalties representam uma compensação de até 10% do valor da produção bruta de petróleo, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Com o barril do tipo Brent orbitando a faixa de US$ 80, cada ponto percentual convertido em receita pública ganha relevância. Especialistas lembram que, ao contrário de tributos tradicionais, essas verbas não entram no cálculo do teto de gastos, permitindo aos governos ampliar despesas sem afetar indicadores fiscais principais.
Se a redistribuição for liberada, municípios litorâneos de baixa produção podem ver seus orçamentos saltarem até 20%, segundo projeções de consultorias regionais, enquanto cidades produtoras teriam de rever planos de obras e acordos de dívida. Já para o investidor privado, o maior risco é o aumento de litígios sobre participações especiais e possíveis pressões para revisar contratos de partilha, o que costuma elevar o custo de capital das petroleiras.
Como isso afeta o seu bolso? Receitas extras em municípios não produtores podem abrir espaço para redução de ISS ou IPTU, enquanto cortes em estados produtores podem resultar em aumentos de taxas ou postergação de projetos públicos. Para mais detalhes sobre o cenário econômico e político por trás dessa disputa, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / STF