Índice de BDCs despenca à mínima histórica; impacto pode chegar ao seu bolso
Riza Asset – Em entrevista recente, o gestor Renato Jerusalmi alertou que o mercado americano de crédito privado enfrenta saídas de capital nunca vistas desde 2025, após dois grandes defaults, mas reforçou que o risco sistêmico permanece controlado.
- Em resumo: pedidos de resgate nos BDCs pularam de 1,5% para 8,5% em apenas dois trimestres.
BDCs negociados abaixo do patrimônio acendem o sinal amarelo
Dados do índice de BDCs da Bloomberg mostram que esses fundos chegaram a ser precificados a 0,8 vez o valor patrimonial, a menor relação desde que a série começou. Essa desvalorização embute expectativa de perda de até 20% em alguns portfólios.
“O mercado estima 10% de perda patrimonial quando o múltiplo cai de 1,0 para 0,9”, pontuou Jerusalmi.
Para conter saídas, gestores ativaram gates, limitando resgates trimestrais a 5%. A medida alivia pressões de venda forçada, mas prolonga a incerteza para quem precisa de liquidez.
Por que analistas dizem que não é outro subprime
Mesmo com US$ 2 trilhões em exposição, a indústria de private credit representa menos de 10% do volume que alimentou a crise de 2008. A alavancagem média é de “apenas” 1 vez o patrimônio, bem abaixo dos limites regulatórios e dos níveis observados no subprime.
Além disso, 85% dos cotistas são institucionais – fundos de pensão, endowments e seguradoras – considerados menos propensos a pânico. Historicamente, default médio do setor gira perto de 1,3%; mesmo um salto para 10% implicaria impacto de 0,5% do PIB dos EUA, segundo cálculos da Riza Asset.
Como isso afeta o seu bolso? Oscilações no crédito corporativo americano costumam pressionar spreads globais e podem encarecer captações de empresas brasileiras no exterior. Para acompanhar os desdobramentos no mercado, acesse nossa editoria de Mercado e Ações.
Crédito da imagem: Divulgação / Riza Asset