Investimento extra pode evitar que país volte a importar óleo cru, diz Abespetro
Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (Abespetro) estima que, com aportes de US$ 30,6 bilhões ao ano, o Brasil tem potencial para elevar suas reservas provadas de 17 bilhões para 23,5 bilhões de barris na próxima década, prolongando a autossuficiência energética até 2042.
- Em resumo: sem novos poços de fronteira desde 2018, o país corre o risco de voltar a importar petróleo em 10 a 15 anos.
Por que a Margem Equatorial virou peça-chave
O salto de reservas depende de perfurações na Margem Equatorial (Amapá ao Rio Grande do Norte) e na Bacia de Pelotas (RS). Entre 2018 e 2024, o Brasil não abriu nenhum poço nessas áreas, enquanto Guiana e Suriname perfuraram 62, segundo dados compilados pela Reuters. A defasagem aumenta a pressão sobre licenças ambientais e leilões de blocos.
“Se não voltarmos a perfurar, corremos o risco de voltar a ser importadores entre 10 e 15 anos”, alertou Telmo Ghiorzi, presidente-executivo da Abespetro.
Impacto fiscal, empregos e preço dos combustíveis
O setor de óleo e gás representa 11% do PIB e encerrou 2023 com 700 mil empregos diretos e indiretos, retomando o nível recorde de 2010. A ampliação das reservas não só estende a vida útil dos campos como aumenta a arrecadação de royalties e participaç ões especiais para estados e municípios costeiros.
Historicamente, cada US$ 1 gasto em exploração no pré-sal gera cerca de US$ 4 em receitas fiscais ao longo da produção, de acordo com o Banco Central do Brasil. Manter o ritmo de investimentos também dilui a volatilidade do Brent – que voltou a superar US$ 100/baril em meio a tensões no Oriente Médio – sobre o preço final dos combustíveis no mercado interno.
Como isso afeta o seu bolso? Reservas maiores reduzem a necessidade de importação e amortecem repasses de alta do dólar ou do petróleo para a gasolina e o diesel. Para acompanhar os próximos passos da licitação de blocos e do cronograma de perfurações, visite nossa editoria de Economia e Política.
Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS