Bandeiras viram garantidoras finais e mercado prevê alta de custos em cadeia
Banco Central – As bandeiras de cartão enviaram seus novos regulamentos para cumprir a Resolução BCB nº 522, em vigor desde novembro de 2025, que as transforma em responsáveis únicas pela gestão de risco nos arranjos de pagamento. Analistas alertam: o repasse desse novo custo pode apertar a margem de adquirentes, subcredenciadores e, no fim da linha, dos lojistas.
- Em resumo: assumir o risco total significa criar fundos garantidores e elevar capital requerido, encarecendo a operação para toda a cadeia.
Por que as bandeiras agora bancam o risco?
A nova norma coloca Visa, Mastercard e demais bandeiras como fiadoras de eventuais quebras ou fraudes nos participantes. Segundo especialistas, não há precedente semelhante em outros mercados. Em nota técnica, o Banco Central detalha que a medida reforça a solidez do sistema após episódios como a liquidação da credenciadora Entrepay.
“Vai ficar caro operar, porque no pior cenário a bandeira paga a conta”, alertou Gilberto Martins, fundador da G-Payments Consulting e ex-diretor da Mastercard.
Pressão prudencial e efeito cascata sobre fintechs
Além da Resolução 522, o BC apertou as exigências de capital mínimo pelas Resoluções Conjuntas 14 e 17. Instituições de Pagamento, que antes começavam com R$ 2 milhões de capital, agora podem precisar de até R$ 32 milhões, dependendo da atividade. O movimento acelera a “bancarização das fintechs” e deve estimular fusões e aquisições para diluir os novos custos.
Historicamente, o regulador aumenta requisitos após crises ou falhas, como ocorreu com a Basel III no sistema bancário global. A criação de fundos mutualizados nos arranjos de pagamento segue lógica semelhante ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e tende a onerar especialmente subcredenciadores, que operam com margens menores.
Como isso afeta o seu bolso? Maior custo operacional costuma ser repassado em taxas de desconto (MDR) e mensalidades de maquininhas. Você acredita que haverá espaço para repasse integral ou as empresas vão absorver parte do impacto? Para acompanhar outras mudanças no setor, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / BS2