Entenda por que o Simples Nacional pode deixar de ser tão “simples”
Congresso Nacional – O texto da reforma tributária, em tramitação desde o fim do ano passado, pressiona pequenas e microempresas que já lidam com custos operacionais em alta e financiamento caro.
- Em resumo: empresários temem perda de benefícios do Simples e aumento de burocracia justamente quando a Selic permanece em 10,50% ao ano.
Burocracia dobrada e risco de caixa mais apertado
O substitutivo prevê que, embora as alíquotas dos novos tributos CBS e IBS possam ser recolhidas em guia única, o cálculo do crédito tributário sobre compras pode exigir controles paralelos. Segundo levantamento citado pelo serviço global da Reuters, 7 em cada 10 microempresas contam hoje com uma única pessoa para cuidar da contabilidade; dobrar rotinas fiscais elevaria o custo fixo.
“Se não vier um regime específico, o contribuinte do Simples corre o risco de ter de cumprir obrigações acessórias equivalentes às de uma companhia de grande porte”, alerta a nota técnica encaminhada por associações setoriais ao relator do projeto.
Histórico do Simples e o impacto dos juros de dois dígitos
Criado em 1996, o Simples Nacional reúne oito tributos em uma só guia e atende negócios com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. Esse teto não é atualizado pela inflação desde 2018. No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou mais de 30%, de acordo com o IBGE, o que reduz a folga de faturamento real das empresas.
Para piorar, o Banco Central mantém a Selic a 10,50% ao ano, encarecendo capital de giro. Com margens mais apertadas, qualquer aumento de carga tributária ou de burocracia vira fator de sobrevivência.
Como isso afeta o seu bolso? Se você é MEI ou dono de PME, prepare-se para rever preços ou buscar eficiência antes que a nova regra entre em vigor. Para mais detalhes sobre políticas públicas e seus reflexos no caixa do seu negócio, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Gazeta do Povo