Nova contabilidade de risco pressiona resultado e acende alerta no setor
Caixa Econômica Federal – Ao divulgar seu balanço do primeiro trimestre de 2026, o banco estatal reportou lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões, queda de 34,4% em 12 meses, refletindo o salto nas provisões para calotes determinado pelas recentes normas do Banco Central.
- Em resumo: reservas contra inadimplência cresceram 225%, atingindo R$ 6,5 bilhões.
Provisões disparam e apertam margem financeira
Desde janeiro, as instituições financeiras passaram a contabilizar perdas esperadas e não mais apenas perdas efetivas, alinhando-se ao padrão IFRS 9. Essa guinada levou a Caixa a reforçar o colchão de segurança e corroeu parte da margem; ainda assim, a receita financeira subiu 11,8%. Dados semelhantes já haviam sido observados em grandes bancos privados, segundo levantamento da Reuters.
“Os números não devem ser interpretados como deterioração direta da carteira de crédito”, afirmou a Caixa em nota ao mercado.
Financiamento imobiliário segue forte, mas custo do dinheiro pode subir
Apesar da pressão nos lucros, a carteira total avançou 11,3%, para R$ 1,41 trilhão, puxada pelo crédito habitacional. A fatia de 68% da instituição nesse segmento mantém o banco como termômetro do ciclo imobiliário. Historicamente, quando provisões crescem nesse ritmo, o repasse pode ocorrer via spreads mais altos ou análise de risco mais rígida, sobretudo em linhas como consignado e agronegócio.
Como isso afeta o seu bolso? Se os bancos elevarem o preço do crédito para compensar o risco, empréstimos e financiamentos podem ficar mais caros nos próximos meses. Para acompanhar outros movimentos que mexem com seu orçamento, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Caixa Econômica Federal