Provisões disparam 211% enquanto carteira de crédito chega a R$ 1,41 tri
Caixa Econômica Federal – o banco estatal divulgou recentemente o balanço do 1º trimestre de 2026, reportando lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões, queda de 34,4% em relação ao mesmo período de 2025. O recuo acontece em meio a avanço da inadimplência e reforço das reservas contra calotes.
- Em resumo: provisões para perdas somaram R$ 6,51 bilhões, alta anual de 211,5%.
Inadimplência recorde eleva custo de risco
A taxa de atrasos superiores a 90 dias subiu para 3,71%, nivel acima do observado nos grandes bancos privados, de acordo com dados compilados pela Reuters. Para cobrir possíveis perdas, a Caixa elevou substancialmente suas provisões, fator que pressionou o lucro mesmo com expansão da margem financeira para R$ 18,3 bilhões.
“A provisão para perdas com inadimplência alcançou R$ 6,51 bilhões, avanço de 211,5% na comparação anual”, diz o relatório de administração.
Crédito imobiliário sustenta expansão, mas Selic menor reduz margens
Apesar do lucro menor, a carteira total chegou a R$ 1,41 trilhão, alta de 11,3% em 12 meses, impulsionada pelo crédito habitacional (+13,9%). O movimento ocorre em um cenário de ciclo de queda gradual da Selic — atualmente em 10,50%, segundo o Banco Central — que barateia financiamentos, mas tende a apertar o spread dos bancos.
No crédito comercial, pessoas físicas somaram R$ 154,9 bilhões (+10,4%), com destaque para o consignado, responsável por 73,7% desse montante. Já as empresas tomaram R$ 114,3 bilhões (+8,8%), enquanto o agronegócio avançou 2,2%, ritmo modesto frente ao restante da carteira.
Como isso afeta o seu bolso? O aumento da inadimplência pode restringir futuras concessões e encarecer linhas de crédito populares, como o consignado. Para acompanhar análises sobre bancos públicos e política monetária, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil