Movimento estratégico do banco ocorre em meio a vagas abertas no Banco Central
Itaú Unibanco — O maior banco privado do país confirmou que Diogo Guillen, ex-diretor de Política Econômica do Banco Central, comandará sua área de análise macroeconômica a partir de 1º de julho, após cumprir a quarentena prevista para ex-autoridades.
- Em resumo: Guillen substitui Mário Mesquita, que deixa a diretoria aos 60 anos por regra estatutária.
Troca no Itaú pode redefinir cenários de juros e câmbio
A chegada de Guillen ocorre no momento em que o mercado tenta antever o rumo da Selic para o segundo semestre. Como economista-chefe, ele passará a assinar projeções de inflação, PIB e taxa básica, parâmetros que influenciam desde emissões de dívida corporativa até o custo do crédito para consumidores. Segundo dados acompanhados pela Reuters, cada revisão na curva de juros pelo Itaú tende a repercutir em casas de investimento independentes e tesourarias de empresas.
“Com dez anos sem concurso e sem ganho de renda, não precisa ser um ás de RH para imaginar como está a motivação no Banco Central”, disse Guillen em seu último evento público antes de deixar a autarquia.
Vacância no BC aumenta pressão por nomeações e autonomia financeira
Enquanto o Itaú resolve sua sucessão, o Banco Central mantém vagas abertas em pelo menos duas diretorias: Política Econômica e Organização do Sistema Financeiro. As indicações de Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti aguardam aval do Planalto e sabatina no Senado. O impasse prolonga a interinidade de decisões cruciais sobre regulação e estabilidade monetária.
Historicamente, períodos com cargos vagos na diretoria colegiada costumam elevar a volatilidade nos mercados futuros, pois reduzem a previsibilidade das comunicações do BC. De 2014 a 2016, por exemplo, a ausência de um diretor fixo de Assuntos Internacionais coincidiu com picos no dólar acima de R$ 4,00, mostram séries do próprio banco.
Como isso afeta o seu bolso? Mudanças na equipe econômica de bancos de peso e a indefinição no BC podem alterar expectativas de juros, influenciando parcelas do financiamento e rendimento de aplicações. Para acompanhar as próximas movimentações, acesse nosso hub de Economia e Política.
Crédito da imagem: Divulgação / Itaú Unibanco