A escalada do investimento coletivo indica apetite renovado por risco no país
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – O boletim econômico divulgado em 29/4 mostra que as plataformas de crowdfunding de investimentos captaram R$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre de 2026, avanço de 83,3% sobre igual período de 2025. O salto, distribuído em 245 ofertas, sinaliza liquidez extra para startups e pequenas empresas e mexe no termômetro de risco do mercado brasileiro.
- Em resumo: quase o dobro de ofertas e R$ 500 milhões a mais em recursos movimentados em apenas três meses.
Plataformas quebram recorde antes mesmo da nova regra da CVM
O desempenho antecede a revisão da Resolução CVM 88, cuja consulta pública encerrou-se em janeiro. Hoje, 76 plataformas estão autorizadas a intermediar captações, sete a mais que no fim de 2025, segundo dados oficiais da autarquia.
“Observamos emissões acionárias e a consolidação do crowdfunding como alternativa de financiamento”, destaca Bruno Luna, chefe da ASA/CVM.
Mercado de capitais também acelera: R$ 207,6 bi em ofertas
Além do equity crowdfunding, o boletim aponta emissão total de R$ 207,6 bilhões em valores mobiliários no trimestre, 19,8% acima de 2025. Debêntures lideraram (R$ 86,5 bi), enquanto as ofertas de ações voltaram ao radar com cinco operações que já somam 88% do volume de todo o ano passado.
Analistas lembram que a trajetória de queda da Selic desde 2023, aliada à expectativa de cortes adicionais, tende a manter o fluxo para produtos de maior retorno, reforçando o apetite por risco. Segundo projeções do Banco Central, cada ponto percentual a menos na taxa básica pode liberar até R$ 50 bilhões para aplicações fora da renda fixa tradicional.
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